terça-feira, 30 de novembro de 2010

O MEU VIGÉSIMO SÉTIMO ANIVERSÁRIO.

Hoje, resolvi falar, da maneira, como passei o dia 9 de Março de 1969. Como, onde e com quem estava, nesse dia. Respeitante à saúde e à felicidade, devo dizê-lo que estava no meu melhor. O local, Aldeamento do Muiei, (Quimbo), referente a povoação da população negra de Àfrica.
Localização entre as cidades de General Machado (Camacupa) e Malanje, próximo do Rio Luando, a cerca de seis quilómetros da povoação com o mesmo nome. Distrito do Bié (Kuito), cuja capital era Silva Porto, hoje Kuito, em Angola. Os acompanhantes  que comigo comemoraram o meu vigésimo sétimo aniversário, dia 9 de Março de 1969, foram dois camaradas de profissão e três amigos militares que pertenciam a uma companhia do Exército aquartelda no Luando. Nenhum dos meus familiares foi possível estar presente.
Quando em Junho de 1968 me apresentei no Comando da PSP, do Kuito, fui destacado para o local acima citado, Muiei, tinha como missão  enquadramento de milícias, que pertencia  à Defesa Civil de Angola, mas  devido a especiais circunstãncias e por falta de pessoal. Em parte, era desempenhado pela Polícia de Segurança Pública, que distribuia os seu elementos para junto da populações negras dos locais mais remotos.
Durante um ano junto daquela maravilhosa população, da qual muito me orgulho ter dado o meu melhor, ao mesmo tempo com eles muito ter aprendido, contribuindo com os meus poucos mas muitos sinceros conhecimentos, conquistar a sua confiança, para o bem de todos. Tarefa que me foi bastante fácil, visto que entre mim e a população havia  recipocro respeito. Não olhando a cor da pele, porque todos somos humanos, cujo sangue que nos corre nas veias é igual  em todas as pessoas ,vermelho.
Junto daquela população encontrei o lugar ideal, sem ter que enfrentar os que nada e ninguém respeitam, julgando seres os melhores do mundo. Tendo durante um ano vivido na mais tranquila paz deste planeta terra. Um dos mais felizes anos de minha vida. Ter passado pela Polícia de Segurança Pública, foi para mim uma boa experiência, embora ás vezes revoltante, por causa do procedimento menos correcto de alguns dos seu elementos, que pouco ou nada tinham e muito queriam  ter, sem que para isso com honestidade tenham cumprido o seu dever.
Ao fim de um ano ali de serviço, eu e meu camarada, os dois da PSP,  fomos rendidos, cuja rendição surpreendeu a população, a qual junto do segundo Comamdante Distrital, da PSP, que se deslocou ao local, pediu para a nossa continuação, tendo este informado que no nosso lugar ficavam outros dois polícias. Porém, a população disse-lhe que não seria a mesma coisa! Visto já estarem habituados ao nosso correcto procedimento e pelo  modo de relação que havia em ambas as partes.
Todavia, fomos confrontados com a seguinte pergunta vinda desse Senhor 2º. Comandante, que porventura, era mulato, oriundo de Caco Verde. Afinal o que é que  vocês fazem aos pretos para que eles não queiram que saiam daqui? Pelo que lhe respondi, Ó! meu tenente a resposta é só uma  tratamos as pessoas como devem ser tratadas e como seres humanos que o são, e por serem  dignos do nosso melhor e mais sincero respeito, disse eu.
Para terem a certeza de que tudo correu na mais tranquila e sã camaradagem, mirem nossas imagens na foto acima mencionada, onde podem verificar de que ali naquele lugar, e preciso momento, reinava a tranquilidade e a paz. Porquanto, ainda, estavamos só nos apiritivos, preparando o estâmago para receber o excelente almoço que havia sido, especialmente, confecionado com as melhores carnes adquiridas junto dos produtores de gado da região. tendo prolongado-se até noite dentro, imaginem como estariamos no final?

domingo, 28 de novembro de 2010

PEQUENO RESUMO DA HISTÓRIA DE MINHA VIDA.

                          Quando era, ainda, menino no que pensava
                              e o que desconhecia um dia vir a ser?
                                       De muito novo fui pastor
                                           e no campo trabalhei.
                                         Aos vinte anos de idade
                                      para o Exército fui chamado.
                                  Depois do serviço Militar cumprido,
                                      na construção civil trabalhei.
                                          Para a Polícia concorri.
                                            tendo sido admitido,
                                           fui policia e não ladrão.
                                          Sempre do lado da razão
                                       para  injustiças não vencerem.
                                              Certo dia a pensar,
                                  no futuro, novos caminhos percorrer.
                                      Resolvi a subchefe concorrer,
                                      pedido de admissão formulei.
                                             Através de petição,
                                            ao Comando enviada.
                                        Recebida e registada ficou
                                              as provas fui fazer.
                                             Em todas eu passei,
                                   na Escola  Prática de Polícia entrei.
                                          Para o curso frequentar,
                                    cerca de nove meses por lá andei.
                                          No final pela porta sai,
                                          por onde tinha entrado.
                                      Com o Diploma de Aprovado,
                                          na mão contente fiquei.
                                          Promovido a Subchefe.
                                          para o Horizonte a olhar.
                                        Imaginei imenso jardim ver,
                                     lindas rosas várias cores tinham.
                                       Espinhos junto a elas haviam,
                              em alguns rostos, lábios, sorrisos se viam.
                                    Para suas intenções disfarçarem
                                          pela minha honestidade.
                                           Fui vítima de pressões.
                                            Defensor da verdade,
                                           não defendo aldrabões
                                                  Sou cidadão,
                                             em defesa da justiça.
                                         Nunca me deixei subornar,
                                       oriundo deste povo exemplar.
                                          A quem merece dou valor
                                         Também, já fui camionista
                                                   e vigilante.
                       Sou português, de coração Alentejano. Lutador
                                             

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

HISTÓRIA VERÍDICA-ACONTECEU COMIGO.

Foi nos primeiros dias do mês de Novembro, do ano de 1963. Recém-chegado a Vila Cabral, hoje Lichinga, na provincia do Niassa-Moçambique, integrado no Batalhão de Caçadores 598, o qual ficou instalado no Quartel daquela cidade, que havia sido construído para acolher os militares do Exército.  No dia seguinte à nossa chegada, procurei o lavadouro, a fim de lavar a roupa que durante a viagem tinha sujado. Encontrado o dito lavadouro, onde já estavam a lavar sua roupa alguns camaradas meus e também lá se encontravam soldados negros pertencentes a uma companhia do recrutamento provincial.
Meti mãos ao trabalho e lá fui lavanda a roupa, que havia sujado. Pouco tempo depois um camarada soldado negro, chegou jundo de mim, fazendo-me a seguinte pertunga:- O nosso pronto não quer mainato? Sinceramente, não percebi o que era mainato! E a minha resposta foi! Não, obrigado tenho dentro da mala. Ele nada mais disse e afastou-se para o seu posto de trabalho e eu continuei no meu. Assim que acabei de lavar a rouba dirigime-me para a camarata e junto de outros camaradas procurei saber o que queria dizer a palavra mainato! Tendo sido informado que mainato eram os lavandeiros, na Àfrica Oriental Portuguesa e provincias do Oriente. Moral da história, o camarada soldado negro, deve ter pensado. Este branco deve ser  mau, ainda ontem aqui chegou e já meteu o mainato dentro da mala? Ou então deve ser mesmo muito burro? Não sabe e também não me perguntou que que era o mainato! Na verdade pensei que ele se estava a referir ao sabão, visto que  tinha um pequeno pedaço. Motivo pelo qual lhe disse que tinha dentro da mala!

sábado, 20 de novembro de 2010

HINO DO LUNHO.

                         "Vampiros"-Zeca Afonso
                      Alferes Herculano de Carvalho,
                          o Carvalho cem e outras
                                     achegas

                   No céu cinzento, sob o astro mudo
                 Batem as hélices na tarde esquentada.
                  vêm em bandos, com pés de veludo
                  Chupar o sangue fresco da manada.

                 Se alguém se engana com o seu sorrir.
                 E lhes franqueia as portas, à chegada:
                     Só mandam vir, só mandam vir,
                   Só mandam vir e não fazem nada,

                  A toda a parte chegam helicópteros,
                               (vem em bandos)
               Poisam nos tandos, poisam nas picadas...
                 Trazem no ventre "os cabeças d'ouro"
                 Que de guerrilha não percebem nada.

                     São os reizinhos do Niassa todo.
            Senhores por escolha, mandadores sem punho,
                     Aceitam cunhas e dizem que não,
                Passam a ronda sobre os céus do Lunho.

                    "Stou farto deles, 'stou farto deles,
                     Só mandam vir e não fazem nada,

                  Quantas "mercedes", senhor capitão,
                       Até agora foram fornicadas?!
               Eu bem lhe disse que pusesse os homens
               Detectando minas, fazendo emboscadas.

                     Lendo os papéis, lá na sua ZAC,
                     Gritam p'ra nós, mui enfurecidos;
                   -Foi de propósito, foi de propósito,
                  Foi de propósito que ela foi estoirada            

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

RECORDAR TEMPOS DE JUVENTUDE, AO SERVIÇO DA PÁTRIA, BATALHÃO DE CAÇADORES 598. DISTRITO DO NIASSA - MOÇAMBIQUE, 1963/1966.


Esta foto foi tirada em meados do ano de 1964, na varanda do Comando do Quartel do Exército, em Vila Cabral, Distrito do Niassa-Moçambique. Na mesma estamos a ver os nossos amigos furréis, Leiras e Martins e o 1º. cado de amanuense, penso que será o nosso amigo Pinto
O furriel Leiras, está com duas moletas devido a um acidente de trânsito, do qual foi vítima.

Nesta foto que também foi tirada no ano de 1964,  no aquartelamento do Exército em Mandimba,  Distrito do Niassa, em  Moçambique, e em conjunto com elementos da Companhia de Caçadores 612, ali destacados, depois de terem comido bem e bebido melhor, segundo palavras do nosso sempre estimado e amigo ex-furriel Leiras.
Por último e já em Metangula, no ano de 1965, junto do maravilhoso Lago Niassa, para onde tinhamos sido deslocados, em Junho desse mesmo ano. Estamos a ver nesta foto da, esquerda para a direita. Furriel Carvalho, Martins, José Carlos, Leiras e Zacarias, mais conhecido por (NIZA). Todos muito bem dispostos. Eram estes momentos de boa disposição que nos ajudavam a passar melhor o tempo e esquecer algumas das nossas tristezas.

CANCIONEIRO DO NIASSA

IMAGENS DO NOSSO CONVÍVIO, EM 08/10/2011.

IMAGENS DO CONVÍVIO REALIZADO DIA 9 DE OUTUBRO DE 2010