quarta-feira, 27 de maio de 2015

"LÁGRIMA DE PRETA"

Encontrei uma preta
que estava a chorar,
pedi-lhe uma lágrima
para a analisar. 

Recolhi a lágrima
com todo o cuidado
num tubo de ensaio
bem esterilizado.

Olhei-a de um lado,
do outro e de frente:
tinha um ar de gota
muito transparente. 

Mandei vir os ácidos,
as bases e os sais,
as drogas usadas
em casos que tais.

Ensaiei a frio,
experimentei ao lume,
de todas as vezes
deu-me o que é costume: 

nem sinais de negro,
nem vestígios de ódio.
Água (quase tudo)
e cloreto de sódio.  
(António Gedeão)

4 comentários:

  1. Lindo poetar de Antonio Gedeão.
    As lágrimas não tem cor.
    Bjs Edu e obrigada pela visita.
    Carmen Lúcia.

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  2. Já comentei no FAC e vou repetir, corrige o que escreveu Gedeão e substitui "Preta" por NEGRA, não existe raça Preta!
    Com um abraço do analfabeto figueirense.

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  3. Preta ou negra para mim tanto faz!
    Mas lá que está um poema de se lhe tirar o chapéu, isso é que está!
    Este Gedeão agrada-me!

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  4. Um grande poeta, o que foste partilhar.

    Já conhecia e acho-o magistral.

    Beijinhos

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CANCIONEIRO DO NIASSA

IMAGENS DO NOSSO CONVÍVIO, EM 08/10/2011.

IMAGENS DO CONVÍVIO REALIZADO DIA 9 DE OUTUBRO DE 2010