domingo, 22 de junho de 2014

IV [SONETO (DES)PEJADO]

Num cappote embrulhado, ao pé de Armia,
Que tinha perto a mãe o cha fazendo,
Na linda mão lhe foi (oh céus) mettendo
O meu mangalho, que de amor fervia:

Entre o susto, entre o pejo a moça ardia;
E eu solapado os beijos remordendo,
Pela fisga da saia a mão crescendo
A chamada sacana lhe fazia:

Entra a vir-se a menina... Ah! que vergonha!
"Que tens?" — lhe diz a mãe sobresaltada:
Não pode ella encobrir na mão ensaboada:

Suffocada ficou, a mãe corada:
Finda a partida, e mais do que medonha
A noite começou da bofetada.
(Bocage)

4 comentários:

  1. Eheheheh Amigo Eduardo este poema fez-me recordar bons velhos tempos.
    Um abraço e um bom Domingo.

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  2. Bocage é um poeta único.

    Malandro, o artista.

    E destas terras sadinas.

    Beijinhos

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  3. O Bocage e os seus poemas de ardil libidinoso.
    Recordo uma conversa que ouvi em tempos:
    Os portugueses são todos feitos de pau...carvalho ou pinheiro oliveira ou sobreiro...

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  4. Bocage é hilário. Sempre gostei dos escritos dele.
    Abração.

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CANCIONEIRO DO NIASSA

IMAGENS DO NOSSO CONVÍVIO, EM 08/10/2011.

IMAGENS DO CONVÍVIO REALIZADO DIA 9 DE OUTUBRO DE 2010