sábado, 5 de fevereiro de 2011

DE MOTO NAS ESTRADAS DE ANGOLA LUANDA-GENERAL MACHADO (CAMACUPA)

Hoje, decorridos que são mais de quarenta anos, da minha viagem de moto Luanda - General Machado (Camacupa), vou aqui dizer como foi essa maravilhosa viagem. Outubro de 1969, encontrava-me a prestar serviço, na sexta Esquadra da Polícia de Segurança Pública de Angola, situada  no Bairro Prenda em Luanda, para onde havia sido transferido proveniente do comando distrital da PSP do  Bié-"Kuito". Em virtude de ter passado por General Machado, onde tive a oportunidade de conhecer muitas pessoas, cuja nossa amizade jamais poderemos esquecer. Motivo pelo qual em Outubro de 1969, resolvi fazer-lhes uma visita, tendo realizado a viagem de moto. Pelos amigos tudo deveremos fazer. Posso dizer que, apesar da distância foi maravilhoso. Sai de Luanda pela manhã, ao fim da  tarde cheguei ao Alto do Wama. O cansaço foi mais forte do que eu, pelo que resolvi pernoitar naquela localidade. procurei uma pensão, tendo o seu proprietário indicado para estacionar a moto junto da janela do quarto, no exterior, era rés-do-chão, assim o fiz. Após ter bebido uma cerveja, recolhi aos meus aposentos para descansar até chegar a hora de ser servido o jantar. Deitei-me em cima da cama, e lá adormeci, só tendo acordado por volta das sete horas do dia seguinte. Dirigi-me à recepção, a fim de pagar a estadia, e ao mesmo tempo tomar o pequeno-almoço. Todavia foi-me perguntado porque motivo não tinha comparecido para o jantar. Tendo eu respondido, não compareci, porque vinha muito cansado e só acordei  hà poucos minutos. Pelos amigos o esforço não conta.
A viagem não terminou aqui, pelo que continuei estrada fora em direcção a General Machado (Camacupa), via Bailundo, Bela Vista, Chinguar, nome de perdiz, ave que abundava naquela zona, Cangala, Cuquema pequena povoação junto ao rio com o mesmo nome, Silva Porto-Bié-"Kuito", Silva Porto - Gare, Nova Sintra (Catabola), e finalmente General Machado (Camacupa). Cuja distância  no velocímetro indicava ter percorrido 930 quilómetros. Mas, valeu a pena. passei cerca de quinze dias naquela maravilhosa localidade, a conviver com os meus amigos. Tudo o que é bom acaba depressa, e chegou o dia do regresso a Luanda. Triste por ter que partir, mas ao mesmo tempo muito feliz, por ter visitado os meus amigos e os ter deixado de boa saúde.
A moto não era esta que está  na imagem, era outra, uma honda 175 CC.

11 comentários:

  1. E era possível fazer uma viagem dessas em 1969?
    Eu nunca acreditaria!

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  2. Amigo Carlos, acredita, não dúvides da minha palavra.
    Tudo aquilo que escrevi foi real, nada foi inventato. Sou alérgico à mentira, portanto, não compartilho com ela.
    Para quem não conheceu a situação em Angola nos últimos anos da década de 60, custa acreditar, mas é verdade, naquela zona reinava a paz. Desde Luanda a Nova Lisboa (Huambo) Benguela, Lobito, Sá da Bandeira e Moçamedes, qualquer pessoa circulava livremente.

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  3. Bem, em termos comparativos também em Moçambique se vivia e circulava sem problema algum.
    As excepções eram o Distrito do Niassa e Cabo Delgado e, mais para o fim da Guerra, também o de Tete.
    Talvez eu tenha sido influenciado por o Huambo ser, durante a Guerra Civil de Angola, o Quartel-General do Savimbi.

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  4. Talvez não saibam, porque não é do vosso tempo, mas os Filhos da Escola e os militares no seu geral que ganhavam graveto (dinheiro) para adquirir Kawvazaky (Cavazaqui), e as traziam para cá, passados uns tempos tocava o sino. Na Ponte 25 de Abril foram uns tantos. Os outros que resistiam. passado uns tempos, já pediam para fazerem outra comissão a gaita (dinheiro) voava.
    O que quer dizer que elas são um desafio para a acelarar.

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  5. Deve ter sido uma emocionante e bela viagem.
    Fêz-me crescer água na boca.

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  6. Eu estive em Camacupa. Quando, em 1975, "retornei", foi de Camacupa, via Nova Lisboa. Como é que conheceu Camacupa? Como provavelmente deve saber, na zona de Lisboa e arredores vivem muitos "camacupenses". Todos os anos há um Encontro dos Catabolenses,em que a maioria dos participantes são camacupenses

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  7. Senhor Fernandes,permita-me que o trate por amigo.
    Eu conheci Camacupa no ano de 1968.
    Fui para Angola integrado na 3ª. Companhia Móvel de Polícia, e tendo sido colocado no aldeamento do Muiei-Luando, no enquadramento de Milícias, desloquei várias vezes a Camacupa, onde fui muito feliz, por ter conhecidos bons amigos.
    Vou nomear três ou quatro famílias que penso o amigo Fernendes conhecer. Campos, Pereira, Tonito Rabaçal e o senhor Silva do bar.
    Foram estes e outros amigos que conheci em Camacupa a razão da minha ida de moto de Luanda a Camucupa.
    Quando em 1969, transitei do Muiei para Luanda por ter terminado a missão para a qual tinha sido nomeado.
    Quanto aos convívios dos Catabolenses (Nova Sintra), e Camacupenses (Genaral Machado), lembro-me de um no Fandango, onde estives juntos.
    Obrigado pelo seu comentário. Um abraço, Eduardo.

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  8. Ao meu comentário, anterior, faço uma rectificação.
    De Camacupense, para Chinguarense.
    Eu fazia parte deste convívio.
    Sete anos que vivi em Angolo, foram os anos mais felizes de toda a minha vida.

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  9. Muito bem, amigo Eduardo. Em 1968-1969 estava eu em Pango Aluquém, na tropa.Pois é verdade que conheço bem as pessoas que referiu. Todas vieram para Portugal, com excepção do Tonito Rabaçal.Consta que foi morto por um dos movimentos. A mulher e uma das filhas, a Augusta, faleceram em Viseu, sendo ali que vive uma outra filha, casada com o Vila Pouca. O convívio de Catabola continua a realizar-se no Fandango, só que há mais camacupenses que catabolenses. Um abraço.

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  10. Tintinaine:
    Em 1969, salvo melhor opinião, já a estrada estava alcatroada desde Silva Porto a Luanda. De Março a Novembro de 1970 fiz muitas viagens com um autocarro, de Camacupa aos Dembos, nomeadamente ao Pango Alúquem aqui citado. Era sair de Camacupa às 18H30 para apanhar a coluna no Sassa às 07H00do dia seguinte, para seguir em direcção à zona do café. Bons tempos, com muitas dificuldades, mas que deixaram saudades. O Vila Pouca, aqui também citado, foi o meu substituto naquela tarefa.
    Um bem haja para todos os que se identificam com o povo daquela terra muito querida.
    Malula

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CANCIONEIRO DO NIASSA

IMAGENS DO NOSSO CONVÍVIO, EM 08/10/2011.

IMAGENS DO CONVÍVIO REALIZADO DIA 9 DE OUTUBRO DE 2010